Mecatrônica

Não é de hoje que componentes eletrônicos, tais como sensores, atuadores eletromecânicos e circuitos de controle, são utilizados no controle e acionamento de sistemas mecânicos. No entanto, foi o recente desenvolvimento dos circuitos integrados que possibilitou a produção em larga escala e com baixo custo de dispositivos cada vez mais poderosos. Os sistemas mecânicos sofreram profundas modificações conceituais com a introdução da capacidade de processar informações, o que possibilitou torná-los mais rápidos, eficientes e confiáveis, além de permitir a redução de custos. No Japão, a combinação bem sucedida de mecânica, eletrônica e processamento digital em dispositivos para a geração de produtos de consumo, no final da década de 70, recebeu o nome de Mecatrônica. Inicialmente, o termo Mecatrônica foi relacionado com o desenvolvimento dos primeiros robôs industriais. Os projetos na área de robótica impulsionaram desenvolvimentos de controle realimentado a partir de informações sensoriais, tecnologias de sensores e atuadores, programação de alto nível e solução de problemas computacionais complexos. A partir de meados da década de 80, países como Austrália, Japão, Coréia do Sul, além de alguns países europeus, iniciaram a criação de cursos de graduação e pós-graduação voltados ao ensino multidisciplinar de Mecatrônica. Na Inglaterra, a comunidade envolvida com Mecatrônica recebeu aceitação oficial em 1990 com a criação de um Fórum de Mecatrônica apoiado pelo IEE (Institute of Electrical Enginners) e o IMechE (Institute of Mechanical Engineers). Nos Estados Unidos não foram criados cursos específicos de engenharia Mecatrônica, porém foram introduzidas, nos currículos dos cursos de graduação, disciplinas que apresentam o conceito de Mecatrônica. Na grande maioria das Faculdades de Engenharia dos Estados Unidos, as modificações foram feitas nos cursos de Engenharia Mecânica, por meio de disciplinas que abordam a integração de mecânica, eletrônica e computação, para se obter componentes e máquinas.

O objetivo do curso de Engenharia Mecatrônica é formar engenheiros aptos a compreenderem a realidade tecnológica e promoverem avanços tecnológicos relacionados à automação e seus processos e dispositivos, tendo como base uma sólida compreensão de fenômenos físicos e processos mecânicos. Assim, a Mecatrônica pode ser entendida como a combinação integrada de mecânica, eletrônica, controle e computação. O engenheiro mecatrônico deve ter a capacidade de desenvolver seu trabalho em várias áreas e deve ter a competência para se comunicar com técnicos em áreas mais específicas.

O curso de Engenharia Mecatrônica foi iniciativa pioneira da USP, que o criou em 1988, então sob a denominação de Engenharia Mecânica com habilitação em Automação e Sistemas. Desde a sua criação, o curso oferece 60 vagas anualmente. Naquele momento não existia nenhum curso no país na área, embora a experiência internacional já fosse considerável. A primeira turma formou-se no final de 1992.

Posteriormente, em especial após a década de noventa, vários cursos em Engenharia Mecatrônica passaram a ser oferecidos no país. Neste contexto temos a Escola de Engenharia de São Carlos da USP que oferece um curso sob esta denominação, bem como a UNICAMP. A UFSC e a UFU são exemplos de universidades federais que também oferecem cursos ditos de Mecatrônica. Inúmeras universidades particulares também oferecem tais cursos no momento. Durante esse processo de consolidação da Engenharia Mecatrônica no contexto acadêmico, o curso de Engenharia Mecatrônica da Escola Politécnica da USP tem sido referência pelo seu pioneirismo; inúmeras características do curso serviram de inspiração para outras instituições de ensino superior.

Em 2005 o CONFEA regulamentou as atribuições do Engenheiro Mecatrônico, dando ênfase às atividades de integração de várias áreas sobre um substrato de Engenharia de Sistemas Mecânicos. O curso de Engenharia Mecatrônica da Escola Politécnica da USP se enquadra nesta filosofia. Assim, o curso se propõe a oferecer uma formação substancial (do ponto de vista do MEC, do CREA/CONFEA, e do mercado de trabalho) em Engenharia de Sistemas Mecânicos, adicionando um diferencial voltado para automação e integração de novas tecnologias – sobretudo aquelas baseadas em eletrônica, controle e computação.

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